Rondônia - Quem vive(u) em Porto Velho e nunca comeu a famosa saltenha do J.Lima ou sentiu seu cheiro inigualável, perde a oportunidade de fazer parte da história da capital de Rondônia. A saltenha do J.Lima localizada entre o cruzamento das avenidas Nações Unidas e Amazonas completa neste domingo, 16/01, 50 anos de criação. Localizada no mesmo lugar há meio século, a saltenha ainda é a mais famosa de Rondônia. O jeito de fazer é especial de D. Francisca, que foi casada com J.Lima por 36 anos.


Há 50 anos a mais famosa saltenha de Rondônia começava a fazer parte da história dos portovelhenses: A saltenha do J.Lima que fica localizado na esquina da rua João Goulart com a Amazonas no bairro Nossa Senhora das Graças em Porto Velho.

Dona Francisca Silva que foi casada por 36 anos com J.Lima ainda está lá, com a mão na massa, porém recebe ajuda das filhas e netos para que o empreendedorismo resista ao tempo. O cheiro inconfundível exala as tardes de Porto Velho na região do bairro Nossa Senhora das Graças. Um cheiro incomparável, assim como a saltenha idealizada por J.Lima que faleceu em setembro de 1997.

Seu nome era José Gomes de Lima. Ele começou vendendo caldo de cana num carrinho, era ambulante, naquele carrinho tinha a engenhoca onde ele moía a cana e tirava o caldo nos anos 60. A saltenha, a famosa saltenha do J.Lima nasceu em janeiro de 1972, ou seja, há 50 anos.

Vivemos juntos durante 36 anos, apesar de não sermos casados. Nos encontramos, deixa me lembrar, acho que fui comprar um caldo de cana no carrinho dele e então, ele se interessou por mim e depois ficamos juntos até a morte dele, disse D. Francisca. Embora a fama da saltenha decorra do nome do falecido marido de D. Francisca, J.Lima, ela revelou que os salgados, incluindo a famosa saltenha, sempre foram feitos por ela. O segredo é o amor com o qual ela faz esses salgados há 50 anos.

"Nossa saltenha quem deu a receita foi uma boliviana, só que ela fazia a saltenha boliviana tradicional que é com frango e batata, foi o J. Lima quem incrementou a carne de boi moída e transformou a saltenha boliviana na saltenha do J. Lima que até hoje faz sucesso. Outra coisa que chamava muita freguesia na época do Mercado, era o nosso refresco que era feito da fruta cupuaçu, maracujá, cajá, tamarindo, abacaxi e é claro o caldo de cana feito na hora". 

Dona Francisca finalizou a entrevista: "Todo dia me acordo cedo, cinco e meia/seis horas e já começo a trabalhar preparando os recheios dos salgados. O J. Lima funciona de manhã até o meio-dia e à tarde a partir das 14h. Fechamos para o almoço e pra famosa sexta após o almoço. Sábado funcionamos até uma hora e quase sempre, a gente se arruma e vai pro sítio da minha filha, passar o final de semana descansando, que ninguém é de ferro". 



A matéria foi elaborada por adaptação de rnhtevista de Zé Catraca (Silvio Santos) em 2017.


Fonte: Jornalista Victoria Bacon