Da preparação do equipamento à divulgação dos resultados, sistema eleitoral reúne mecanismos de controle, fiscalização e auditoria
O voto registrado na urna eletrônica percorre diversas etapas antes de ser incluído no resultado oficial das eleições. O processo envolve procedimentos de conferência, identificação, registro, fiscalização e auditoria, desde a preparação do equipamento até a totalização dos votos.
De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), Danilo Marchiori, os mecanismos adotados pela Justiça Eleitoral buscam garantir a integridade da votação, preservar o sigilo do eleitor e permitir o acompanhamento do processo por partidos políticos, instituições fiscalizadoras e pela sociedade.
Preparação da urna ocorre antes do início da votação
Antes da abertura da seção eleitoral, os mesários verificam se a urna eletrônica instalada corresponde ao local onde será realizada a votação.
Em seguida, o equipamento emite a chamada zerésima, documento que apresenta a relação dos candidatos cadastrados e comprova que nenhum voto foi registrado antes do início do processo.
O relatório é assinado pelos integrantes da mesa receptora de votos e pode ser acompanhado pelos fiscais dos partidos políticos. Depois, o documento é encaminhado para arquivamento no cartório eleitoral e passa a integrar os registros oficiais da eleição.
Mesário realiza a habilitação do eleitor
A votação é iniciada às 8 horas, quando os eleitores passam a ser atendidos nas respectivas seções.
Ao chegar ao local, o eleitor tem seus dados localizados pelo mesário, que informa o número do título eleitoral no sistema. Após a confirmação da identidade, o eleitor é habilitado para utilizar a urna.
Segundo Danilo Marchiori, o procedimento também permite registrar qual mesário realizou a liberação do eleitor. Essa informação, porém, não possui qualquer ligação com o voto escolhido, que permanece protegido pelo sigilo.
Eleições de 2026 terão votação para seis cargos
Nas eleições gerais de 2026, os eleitores deverão votar para seis cargos:
- deputado federal;
- deputado estadual;
- primeiro senador;
- segundo senador;
- governador;
- presidente da República.
O eleitor também pode corrigir um número digitado antes da confirmação ou optar pelo voto em branco em cada uma das etapas.
Na eleição para o Senado, haverá duas vagas em disputa. Por isso, o eleitor deverá escolher dois candidatos diferentes. Caso o mesmo número seja informado novamente na segunda escolha, a urna identifica a repetição. Se a operação for confirmada, o segundo voto será registrado como nulo.
Depois da confirmação do último cargo, a urna grava as escolhas e emite o sinal sonoro que indica o encerramento da votação. Em seguida, o equipamento fica disponível para receber o próximo eleitor.
Boletim de Urna apresenta resultado da seção
Após o fim do horário de votação e o atendimento de todos os eleitores que estiverem na fila, os mesários iniciam o encerramento das atividades da seção.
Nesse momento, a urna gera automaticamente o Boletim de Urna (BU), documento que reúne a quantidade de votos recebida por cada candidato naquela seção eleitoral.
O boletim é impresso em várias vias. Uma delas é colocada em local visível para consulta pública, enquanto outras podem ser entregues aos fiscais dos partidos e encaminhadas ao cartório eleitoral.
Segundo o secretário do TRE-ES, a divulgação do documento permite que o resultado registrado em cada urna seja conhecido antes da conclusão da totalização nacional.
Dados são enviados para a totalização
Após a emissão do Boletim de Urna, os resultados também permanecem registrados em uma mídia digital, que é retirada do equipamento e encaminhada ao cartório eleitoral.
Posteriormente, os dados são transmitidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a realização da totalização.
De acordo com Marchiori, a transmissão não modifica os votos registrados na seção. O processo de totalização consiste na reunião e na soma dos resultados presentes nos boletins emitidos pelas urnas.
O secretário explicou que os resultados de cada seção já podem ser consultados antes da divulgação oficial da apuração. Em municípios menores, por exemplo, a reunião dos boletins de todas as seções pode permitir uma estimativa do resultado antes da conclusão da totalização pela Justiça Eleitoral.
Fiscalização e auditorias reforçam a segurança
Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-ES, a segurança do processo eleitoral começa com os programas utilizados pelas urnas.
Os sistemas passam por procedimentos de inspeção e testes que podem ser acompanhados por representantes de partidos políticos, Polícia Federal, Ministério Público, universidades e outras instituições autorizadas a participar da fiscalização.
Também são realizadas cerimônias públicas de preparação das urnas, com acompanhamento de entidades fiscalizadoras e órgãos de controle.
No dia da eleição, algumas urnas são selecionadas para auditorias. Durante o procedimento, é realizada uma votação controlada, acompanhada por representantes das instituições responsáveis pela fiscalização e registrada por meio de filmagem.
Ao final, os votos utilizados no teste são comparados com o resultado apresentado no Boletim de Urna. Segundo Marchiori, esse modelo de auditoria é utilizado desde 2002 e, até o momento citado pelo secretário, não foram identificadas diferenças entre os votos inseridos durante os testes e os resultados registrados pelos equipamentos.
Urnas permanecem armazenadas após as eleições
Depois do encerramento do processo eleitoral, as urnas eletrônicas permanecem guardadas e lacradas durante três meses.
O período permite a realização de verificações, auditorias ou perícias caso seja apresentada alguma suspeita relacionada a determinada seção eleitoral.
Segundo Marchiori, os mecanismos de proteção também passam por atualizações constantes para acompanhar o avanço das tecnologias e das ameaças digitais. A intenção é ampliar a segurança dos sistemas utilizados em cada novo ciclo eleitoral.
Assim, o caminho do voto envolve diferentes etapas de controle, desde a emissão da zerésima, a habilitação do eleitor e o registro das escolhas até a geração do Boletim de Urna, a transmissão dos dados e a divulgação oficial dos resultados.


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